Mural CMMC – Bertioga

Bertioga - SP

Bertioga - SP

Águas doces e povoados isolados são atrativo a parte em Bertioga.

Esta pequena cidade marca o limite entre os trechos Sul e Norte do litoral paulista e tem 30 quilômetros de praias com boa balneabilidade. Mas é nas águas claras e doces dos rios Jaguareguava e Itapanhaú que Bertioga, um subdistrito de Santos até 1991, guarda seus maiores tesouros naturais.

A cidade ainda tem como principal atrativo a Riviera de São Lourenço, um bairro com condomínios de luxo, a 16 km do centro, que segue paralelo às belezas de uma Mata Atlântica preservada cortada por trilhas, rios e uma das maiores variedades de aves do planeta.

Quem não se impressiona com as facilidades da vida moderna disponíveis na Riviera acaba levando para casa, e para o fundo da alma, uma coleção de histórias e de imagens raramente encontradas no litoral de São Paulo.

A canoa desce lenta pelo Jaguareguava, um tranquilo rio afluente do Itapanhaú, o mais longo de Bertioga. O remo toca suave as águas rasas e os olhos são testemunhas do movimento de aves, cardumes e raros cágados. Até os felinos escolhem aquelas águas para alimentar-se, daí o nome Jaguareguava que, em tupi, significa “lugar onde a onça bebe água”.

No entanto, esses bichos andam tímidos e o aventureiro segue tranquilo o percurso, no ritmo das águas. O único ruído que se escuta, entre piscinas naturais e pequenas praias de areias claras, é o do remo pedindo passagem. Dizem que o Jaguareguava sempre chama e o visitante, obediente, faz uma primeira parada para o ‘batismo’.

De volta à canoa, e com o corpo renovado, segue-se até o grande Itapanhaú. Por esse rio escuro e profundo passam as balsas que unem a cidade à vizinha Guarujá, mas nesse trecho da navegação nem a presença dos caranguejos que habitam as áreas de manguezal à beira do rio são ameças e as poucas embarcações que passam levam redes, anzóis e pescadores.

Quem navega por ali fica sem entender tamanha harmonia em pleno litoral agitado de badalações que, em certos fins de semana, parecem a filial da caótica capital paulista. Mas ainda assim vamos tentar explicar tal fenômeno.

Os rios afluentes mantém vivo o rico ecossistema em que 80% da fauna e da flora estão preservadas, e que têm sido os principais obstáculos que impedem a urbanização descontrolada na região. Mais da metade de todo o município localiza-se dentro do Parque Estadual da Serra do Mar, uma floresta de mata densa em que a água brota da terra, desliza por rochas, forma cachoeiras e enche os rios de Bertioga. As outras explicações ficam por conta mesmo das razões escondidas na alma de cada um.

Alguns quilômetros mais adiante, surge outro tesouro escondido, literalmente: a Vila de Itatinga. Quando os olhos viciados dos moradores de grandes metrópoles já cansaram de buscar destinos alternativos e isolados, Itatinga volta no túnel do tempo e prova que ainda há lugares guardados que preservam, fielmente, sua história.

A vila, que tem uma população fixa que não deve ultrapassar dez famílias, é cidade-base dos funcionários de uma das usinas mais antigas do Brasil, a Usina Hidrelétrica de Itatinga. Construída pelos ingleses em 1910, essa sociedade vive isolada a 7km do rio Itapanhaú e, para conhecê-la, é necessário pegar um bondinho com apenas duas saídas diárias que transporta locais e visitantes.

Se lá fora a mata continua preservada, em Itatinga a ‘lei’ é a mesma. O acesso de visitantes é controlado e apenas agências locais estão autorizadas a levarem turistas; um segurança no embarque das balsas controla quem cruza o rio até o acesso ao bonde; e os habitantes do sexo feminino só estão ali pois estão casadas com antigos funcionários da hidrelétrica. Preservação da natureza e controle de fertilidade para que o casario de estilo inglês com madeiras de riga da Letônia não se torne um grande condomínio de luxo.

Mais acessíveis do que Itatinga, mas não menos isolados, estão os índios tupi-guaranis de Boracéia, no limite do município com São Sebastião. Os rastros do que fora um grande país indígena ainda podem ser vistos na margem direita da Rio-Santos, onde alguns membros da comunidade vivem da comercialização do artesanato produzido.

No entanto, quem quer sentir de perto o contato com os índios locais deve desviar o caminho e entrar mata adentro. O cacique Karai-Tataendy (‘filho do fogo sagrado’) é responsável pela recepção calorosa enquanto as crianças, curiosas, rodeiam os recém chegados. Atualmente, 35 famílias vivem naquelas terras onde, plantando, quase tudo se dá, sobretudo o palmito Jussara. E para conferir a variedade natural que protege a comunidade, basta fazer uma das trilhas curtas que têm início em área indígena protegida.

No final do dia, a alma do turista já está tão completa que mal se dá conta de que ainda nem chegou às praias.

fonte: UOL – Viagem

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